Escritas minhas...
Aquilo que eu gosto de escrever...
domingo, 7 de maio de 2023
MÃE
sábado, 6 de maio de 2023
Que dia parvo
segunda-feira, 24 de abril de 2023
Liberdade
Liberdade, liberdade
sábado, 15 de abril de 2023
GRUPO "GÁFETE A CANTAR"
Espectacular
Adorei, adorei, adorei...O Centro Cultural de Gáfete é pequeno mas hoje foi grande. A actuação do grupo "Gáfete a Cantar" foi simplesmente maravilhosa. Não que perceba de pormenores técnicos ou coisa que o valha, mas que aquele grupo de mulheres e homens encantaram, lá isso encantaram! Jovens, não muitos, mas com um sorriso, que gostava de ter visto em todos. Acredito que não deve ser fácil, depois de uma semana de trabalho, ensaios, preparação do evento, adultos trabalhadores com casa e família a seu cargo... muitas vezes sem grandes apoios familiares... enfim!
Mas, estava a desviar-me do assunto! Afinal, só quero repetir que o espetáculo foi maravilhoso, vozes afinadas, canções alegres alentejanas, ainda com a presença do cantor António Caixeiro, de Cuba, baixo alentejo, muito bom mesmo! Puseram o público, sala cheia, a cantar, a bater palmas, a ligar as luzinhas dos telemóveis, a acompanhar. Foi música, foi concerto, foi bonito. Ah! E não estou a puxar a brasa à minha sardinha: não nasci em Gáfete, não vivi em Gáfete a maior parte da minha vida (saí aos 10 anos e regressei por volta dos 60) mas vinha sempre que podia e nas férias. Acabo por ser de Gáfete então.
Parabéns ao GÁFETE A CANTAR e a todos que dele fazem parte. Só uma coisinha: sorriam um pouco mais se puderem... disse-o no intervalo a alguém do grupo...
Viva Gáfete!
Viva o Alentejo!
Viva o Gáfete a Cantar!
segunda-feira, 10 de abril de 2023
Alegria de vos ver
Alegria de vos ver! Tristeza de ver como estão...
Há doenças que matam. Há doenças que moem. E há as que destroem. Quando se apanham, seja qualquer delas, as que me parece que passam mais despercebidas, são aquelas em que existe um cuidador, marido, esposa, filhos ou geralmente outros familiares, que amam tanto aqueles de que cuidam que o sofrimento deles próprios passa ao lado, e disfarçam as lágrimas que teimam em cair. Perguntamos, geralmente, se o doente está melhor... porque sabemos que está doente e sofre... e desejamos as melhoras... muitas vezes tendo a noção que não será fácil superar a doença. Tentamos animar, dar força e coragem... mas, voltando aos cuidadores. Porque amam, vão resistindo, mas o sofrimento que presencio, faz doer, dói-me também. Afinal, não só o doente, mas também eles viram as suas vidas parar ainda cedo, viram sonhos interrompidos, vêem a esperança a fugir-lhes... Para eles o meu grande apoio, conforto e especialmente admiração! Do fundo do coração desejo que o vosso sofrimento não seja inútil... que as pessoas a que me refiro, tenham direito ainda a alguma qualidade de vida... porque o azar bateu-lhes à porta demasiado cedo.
Gosto muito de vocês. Beijinhos
sábado, 29 de outubro de 2022
O rosto da guerra
Apesar de linda e serena, a sua expressão de profunda tristeza, tocou-me dolorosamente.
Tão diferente das notícias sensacionalistas que comentamos com um "que horror... a guerra... a Ucrânia... bla, bla, bla...".Que egoísta me sinto!
Há dois dias estive com uma amiga ucraniana, residente em Portugal há vários anos. Foi a segunda vez que a vi depois de a guerra começar!
Da primeira vez, quase no início, notei-lhe a revolta, a angústia, mas também a esperança... e falava.
Agora, fazendo o seu trabalho com o mesmo empenho e carinho, o seu rosto só revelava um sentimento: tristeza sem fim!
Na despedida, quase invertendo os papéis, eu é que balbuciei emocionada "Força, coragem". Mal se ouviu a resposta "Obrigada". Doeu e dói...
Tão diferente, ver as notícias ou ver alguém, outrora risonha e comunicadora, não dizer mais do que o necessário. Calma, amável, bonita, tem no rosto o espelho da guerra. Quando voltará a sorrir?!
Sejamos gratos pelo que temos!
S. G. 29/10/2022
sexta-feira, 12 de março de 2021
Louvor aos professores
Ensino à distância
Quando chegamos ao fim de mais de um mês de ensino à distância - 1°ciclo - não posso deixar de manisfestar o meu apreço pelos intervenientes ativos neste processo que, para mim, são sem dúvida nenhuma os professores, seguidos dos alunos e pais.
Quase sem dar por isso, vi-me envolvida no acompanhamento sistemático das aulas do meu neto de 6 anos, no primeiro ano de escolaridade.
Já não refiro a parte informática (Teams, Zoom, ...) mas sim a parte humana: A Professora, para além de todo o trabalho da profissão - planificar; ensinar; ajudar; corrigir; avaliar; etc., assume o papel de um educador exposto a alunos e pais dos mesmos. Aquela tem de ter um profissionalismo de comunicação, adaptação online, ao nível dos alunos para que estes a acompanhem (falo do primeiro ano), e ao mesmo tempo um desapego da sua imagem visual e verbal perante os adultos que a observam, ouvem e fazem juízes de valor. O/A professor/a fica sujeito a uma exposição coletiva onde sabe, mas tem de ignorar que, online, tem como pares interativos, alunos e encarregados de educação (!?)
Como avó de um aluno do primeiro ano, e também como docente, achei extraordinário todo o empenho dos envolvidos nas aulas. A professora cativou e interessou os alunos; os pais corresponderam no apoio e o resultado foi muito bom.
O regresso às aulas presenciais, passado este tempo à distância, dão-me um misto de alívio (temos de voltar à normalidade, e assim seja) e de receio (por mais duas semanas, não seria mais seguro, temos condições?)
Claro que foi difícil - humana e logisticamente - e muito mesmo para algumas famílias. No meu caso, pais em teletrabalho exaustivo, uma irmã no terceiro ano, que se desenvencilha sozinha, foram quatro postos de trabalho online, em diferentes divisões da casa, em simultâneo... Foi sério, pais com outras condicionantes, professores com filhos alunos em anos diferentes, filhos doentes, cônjuges em teletrabalho e mais mil e uma situações diferentes... esgotante!
Apesar de tudo, faço um balanço muito positivo deste período. Houve progressão no ensino/aprendizagem e estivemos seguros.
Parabéns professores cuja profissão exigente permite sempre a troca de novos saberes.
Parabéns colegas.
O que vivi foi extraordinário.
S.G. 12/03/2021
quarta-feira, 22 de julho de 2020
O Pregão
Foi numa aldeia pacata, como tantas outras que existiam, e quero crer que ainda existem. Os habitantes conheciam-se todos uns aos outros e os bons hábitos, a amizade e solidariedade faziam parte do dia a dia.
Foi no tempo em que não havia telemóveis, computadores, ecrãs ou outro tipo de informação, comunicação ou redes sociais. Televisões só uma, a preto e branco, de "cu grande", na sociedade da aldeia, para todos se juntarem a ver, especialmente, os soldados do ultramar a dizerem "até ao meu regresso".Foi na aldeia, que sendo pequena, as notícias circulavam de boca em boca...
Também as notícias eram quase sempre as mesmas... mas algumas mereciam algum destaque, pela sua importância ou até pela sua urgência.
Para informar as pessoas, havia então o pregoeiro, conhecido pelo Homem dos Pregões. Este senhor, portador de voz grossa, alta e clara, tinha a missão de, nos principais largos ou praças da aldeia, gritar em alto e bom som, as tais novidades importantes. Os pregões eram quase sempre, lançados à noite, quando os trabalhadores estavam em casa. Por exemplo: alguém que queria vender uma casa, falava com o pregoeiro e este iria apregoar: "ATENÇÃO, FIQUEM TODOS A SABER QUE O JOAQUIM COXO TEM UMA CASA PARA VENDA. QUEM ESTIVER INTERESSADO VÁ AO SEU ENCONTRO NO DOMINGO, DEPOIS DA MISSA".
Claro que todos sabiam quem era o Joaquim Coxo e a que horas terminava a missa no domingo.
E este pregão era lançado três ou quatro vezes nos locais centrais, onde se pensava que chegasse ao ouvido do maior número de pessoas...
Era assim, oralmente, naquele tempo... também havia editais...
Foi diferente o pregão daquele serão; nunca tinha havido um igual na aldeia. E a população preocupou-se naquele dia, e admirou-se.
Foi assim, o que saiu da boca do homem, nos diferentes largos: "ATENÇÃO, QUEM TIVER A FILHA DO JOÃO ALEXANDRE, EM CASA, É FAVOR PÔ-LA NA RUA".
Simples, a filha do senhor João, que brincava na rua até ser noite, como todas as crianças, naquele dia, não chegara a casa às horas habituais. Os pais, preocupados mas com fé, pagaram ao pregoeiro para alguém pôr a filha na rua.
Foi assim, que rapidamente, os vizinhos da casa ao lado, puseram a menina na rua...
Os vizinhos tinham uma filha da mesma idade, mas as meninas raramente brincavam juntas. Naquele dia, foi diferente e o que parecia uma tragédia, não passou de uma mudança de hábito... as crianças tinham resolvido entrar juntas para continuar a brincadeira.
Tudo acabou bem, como vêem...
Se houvesse telemóveis, os vizinhos tinham avisado os vizinhos, sem sairem do sofá, que a menina estava lá...
Mas sobre pregões muito haveria para contar... e sobre telemóveis, nem falar...
São Garcia
Em 22/07/2000
segunda-feira, 1 de junho de 2020
Meu menino grande
A primeira vez que te vi, foi espreitando sem autorização. Eras um bebé loirinho, de pele muito clarinha, que apetecia apertar... só desejei que o tempo passasse para saires do hospital e ires para a tua casa definitivamente.
E não demorou muito.Um dia ou dois, já não me lembro!
E a segunda vez que te vi estavas satisfeito, já ao colinho de outra avó, de cabelos brancos... Enquanto cá esteve e até partir amou-te incondicionalmente. Os teus pais babados riam de contentamento e foi aí que te peguei ao colo. Fazia tempo que não havia bebés na família... foi um consolo.
A terceira vez... e todas as outras, sempre que podia, visitava-te e abusava... vi-te a aprender a andar, a falar, a cantar... que ternura! Ao assobio do teu pai, identificavas a música e continuavas num la la la ritmado e acertado. Eras uma fofura, doce, muito educadinho, aonde chegavas davas um beijinho a toda a gente que estivesse presente... e foste crescendo, inteligente, traquinas o suficiente e comilão! Que bem te sabia a sopinha, o segundo prato e até uma fatia de pão. Doces... nem por isso. Gelados também não.
O tempo vai passando e hoje és um jovem menino bonito e bem sucedido. Um coração enorme, notas escolares excelentes, no futebol guarda redes e mais o futuro o dirá! Que sejas sempre feliz e conseguias fazer feliz os outros.
M.C. 1/06/2020
segunda-feira, 22 de julho de 2013
O passarinho
A tarde estava quente!
Pelo caminho de terra batida ecoavam um passos ligeiros e apressados. Era um rapazinho, que na tarde abrasadora,
corria encosta abaixo...
Através do vidro da janela, a menina ouvia o som aproximar-se rapidamente! E via, caído no chão de terra batida, meio desfalecido, um pequeno passarinho. A menina teve medo!
A tarde estava muito quente!
E os passos cada vez mais perto...
Ela abriu a janela e bateu as palmas na esperança vã de que o passarinho as ouvisse e fugisse! Não resultou... e eis que o menino, quase galopando se aproximou. Tão perto, que a terra de certo trepidava... Sim! Com alegria e espanto, a menina fixou a pequena ave que repentinamente se ergueu no ar e pela janela foi entrar!
Num misto de emoções, ela viu-o ir contra a parede do pequeno quarto e cair no chão atordoado... Fechou a janela rapidamente.
A tarde estava quente!
Pensou, pensou, pensou... foi à cozinha buscar água numa tampinha e colocou-a no parapeito interior da janela. Pegou no passarinho de mansinho. Levou-o para perto da tampinha com água e, com um dedo molhado, refrescou-lhe o bico... ele mal se equilibrava de pé. Aos poucos, foi recuperando as forças e sozinho, molhando o bico.
A menina tinha fé e não desviava o olhar. Que felicidade se o pudesse salvar! Lembrou-se que também podia ter fome. Foi à cozinha e trouxe um miolinho de pão. Ah, que emoção! Se ele comesse... seria a perfeição!
Aproximou-se com cuidado, não ficasse ele assustado. Já ele passeava no parapeito, visivelmente refeito do calor abrasador que na rua se sentia...
A tarde estava quente!
A menina, com alegria, desfez o pão em pequenos pedacinhos e com o seu dedo o humedeceu... Sabem o que aconteceu? O passarinho foi-se aproximando e depenicando, o comeu! E agora? Restava esperar que o tempo passasse e a calorina acalmasse. O passarinho parecia outro, já resfolgado e recomposto, passeava no parapeito e ensaiava pequenos voos, indo contra as paredes... o que metia aflição!
Começou a entardecer e a tarde a arrefecer...
Já não estava tão quente!
No céu, apareceram alguns bandos de aves a esvoaçar. O passarinho ouvia o seu chilrear...
E a menina, encheu-se de coragem: a janela abriu e ele fugiu. Um pequeno voo e foi cair de novo no chão. Mas eis que, repentinamente, um passarinho se afasta do bando, aproxima-se do chão rapidamente e juntos se unem ao bando novamente. Desaparecem no horizonte, para bem longe, numa viagem desconhecida.
A menina ficou feliz e agradada...
Quanto ao rapazinho que corria a passos largos, nunca mais se soube nada...
S.G. 21/07/2013